Por mais expressivo que seja o número de vendas que uma empresa realiza no mês, o DSO, no Brasil conhecido como “Prazo Médio de Recebimento”, é o indicador que de fato importa na hora de mensurar a saúde financeira da companhia.
Esse entendimento parte da premissa de que mesmo que uma centena de novos contratos sejam fechados, o sucesso desse número só se concretiza ao ponto de ter impacto real para a organização quando os pagamentos se realizam.
Por isso, acompanhar a métrica de recebimentos permite ao negócio entender se atrasos estão prejudicando o ciclo financeiro ou se a empresa tem eficiência na cobrança e, assim, garante que os valores previstos entrem no caixa dentro do período esperado.
A partir desse entendimento, siga a leitura para conferir tudo o que você precisa saber sobre o que é DSO, como esse indicador é calculado e quais são as medidas que ajudam a reduzir o prazo médio de recebimento e que impulsionam o caixa empresarial!
O “DSO” é uma sigla em inglês que pode ser traduzida como "dias de vendas em aberto”, e que se popularizou entre as organizações que realizam vendas a prazo porque indica qual é o período médio que se leva para receber os pagamentos.
Para ilustrar como o DSO é analisado, imagine uma companhia que comercializa materiais escolares com prazo de pagamento de 30 dias. Nesse caso, mesmo que a venda ocorra, o recurso financeiro só entra no caixa um mês depois.
Assim, é esse intervalo entre a realização do negócio e o recebimento que o DSO mensura, de modo a demonstrar se os pagamentos estão ocorrendo dentro das condições oferecidas ou se os atrasos estão aumentando o prazo de arrecadação.
Na hora de realizar o cálculo do DSO, a fórmula é simples e depende apenas de informações que em geral são acompanhadas pela equipe financeira:
DSO = (Contas a receber ÷ Receita de vendas a prazo) × Número de dias do período
Nessa equação, cada elemento corresponde ao seguinte dado:
Para facilitar a compreensão, considere o exemplo de uma organização que encerrou o mês com R$ 300 mil em contas a receber e, no mesmo período, realizou R$ 900 mil em vendas a prazo. Nesse caso, aplicando a fórmula em um mês de 30 dias, temos:
DSO = (300.000 ÷ 900.000) × 30 = 10 dias
Na prática, isso significa que, em média, a empresa leva dez dias para receber os valores das vendas realizadas a prazo.
Diante dessa explicação, vale ressaltar que o DSO é mais fidedigno quando são utilizados períodos equivalentes, ou seja, ao comparar mês/mês e trimestre/trimestre, acompanhando a evolução do incador para identificar alterações nos recebimentos.
De forma geral, um DSO menor indica que os valores das vendas a prazo estão sendo recebidos em menos tempo, o que sugere que o ciclo financeiro do negócio está favorecido, já que a entrada de recursos no caixa tende a ser ágil.
Por outro lado, se o indicador está elevado, os recebimentos estão demorando mais do que o esperado, o que pode se relacionar com um aumento da inadimplência ou, em outra via, ao oferecimento de prazos superiores à capacidade financeira da organização.
Nessa situação, pode ser que a equipe financeira precise investir mais tempo na análise das estratégias de cobrança, como a migração para os boletos digitais, a fim de estreitar o contato com os clientes.
Ainda assim, destacamos que interpretar o indicador apenas pelo seu valor absoluto pode levar a conclusões equivocadas, de forma que é essencial comparar o resultado obtido com os prazos efetivamente concedidos aos clientes.
Por exemplo, em uma empresa que concede 30 dias para pagamento, mas registra um DSO de 45 dias, o intervalo médio de quinze dias de atraso indica dificuldades na recuperação dos créditos.
Em contrapartida, se a companhia trabalha com contratos de 60 dias, o DSO de 45 não representa nenhum problema, portanto, a análise deve levar em conta se o indicador permanece compatível com a política comercial.
Acompanhar o DSO regularmente ajuda a entender a dinâmica dos recebimentos e a tomar decisões com mais segurança, assim, entre os principais usos do indicador estão:
Somados esses pontos, entende-se que ao acompanhar o DSO, a empresa reúne o conhecimento necessário para avaliar a relação da competitividade comercial com a sustentabilidade financeira, evitando que o aumento das vendas traga restrições no caixa.
O DSO pode aumentar por diferentes fatores e identificá-los ajuda a organização a entender quais são os gargalos que atrasam a entrada de recursos no negócio. Por isso, destacamos os principais pontos que tendem a elevar o tempo de recebimento:
Prazos de pagamento
Conceder prazos estendidos torna as condições comerciais mais atrativas, entretanto, se essa prática não considera a capacidade financeira da empresa, o intervalo entre a venda e o recebimento tende a aumentar, elevando naturalmente o DSO.
Concessão de crédito
Se todos os clientes receberem as mesmas condições de pagamento, independentemente do seu histórico financeiro, é maior a probabilidade de que cresçam os intervalos entre a venda e a recuperação de recursos.
Boletos e faturas
Inconsistências em documentos de cobrança podem atrasar o recebimento dos valores, por isso, é essencial revisar os dados cadastrais dos clientes antes do envio de boleto a fim de viabilizar as melhores condições para que o pagamento seja efetuado.
Paralelamente aos erros, atrasos na emissão de faturas também elevam o período de arrecadação, porque reduzem o tempo disponível para que o pagador quite o débito no prazo.
Lembretes antes do vencimento
Quando a empresa não adota uma rotina de cobrança preventiva, os lembretes antes do vencimento podem deixar de ser enviados e, sem esse acompanhamento, aumentam as chances de pagamentos em atraso.
Para tornar o processo de cobrança mais previsível, o DSO pode ser reduzido quando a empresa adota as seguintes medidas: [Quebra da Disposição de Texto]
Mesmo que essas ações pareçam simplificadas, é a partir da adoção eficiente de cada uma delas que o DSO é reduzido nas empresas, permitindo que o fluxo do caixa se mantenha saudável.
O DSO mostra quanto tempo a empresa leva para receber, mas não explica sozinho por que esse prazo aumentou ou diminuiu, logo, para aprofundar essa análise, vale cruzá-lo com indicadores que ajudam a observar outros aspectos da carteira de recebíveis:[Quebra da Disposição de Texto]
A tecnologia ajuda a tornar o acompanhamento dos recebíveis e os processos de cobranças melhor organizados, oferecendo às empresas recursos que contribuem para a redução do DSO, como:
Automatização da emissão e do envio de cobranças
Ao adotar um software para o envio de boletos digitais, você pode fazer upload da base de dados dos seus clientes e, de forma automática, emitir boletos e faturas personalizados, programando o dia em que devem ser enviados.
Assim, com os documentos encaminhados dentro dos prazos planejados, a sua empresa mitiga o risco de erros e diminui a dependência de tarefas manuais no início do ciclo de cobrança.
Programação de lembretes
Em soluções modernas, é possível pré-agendar lembretes de fatura em aberto para serem enviados aos clientes, assim, em poucos cliques, todo o fluxo da comunicação é organizado a partir da política de recolhimento de débitos, apoiando a redução do DSO.
Integração entre sistemas
O envio de documentos digitais é facilitado quando a plataforma escolhida permite que a sua empresa integre o software de envios ao ERP já utilizado, já que assim informações sobre pagamentos e dados dos clientes são atualizadas de forma sincronizada.
Monitoramento da entrega das comunicações
No software, é criado um histórico completo de entrega e visualização dos lembretes e boletos pelos clientes, permitindo que você identifique se a cobrança chegou ao destinatário ou se houve problemas no envio.
Com essa informação, é possível agir rapidamente para corrigir o canal de contato e evitar que uma falha de comunicação aumente o DSO.
Disponibilização automática de segundas vias
No corpo da mensagem programada, pode ser incluído um link de solicitação de segunda via, de modo que o pagador acessa outra via do boleto com maior facilidade, reduzindo a necessidade de que a sua equipe seja acionada a cada demanda.
Para manter o DSO sob controle, é preciso entender o que influencia o prazo de recebimento e agir sobre os pontos que podem atrasar a entrada dos recursos no caixa.
Dessa forma, a empresa consegue identificar gargalos e agir antes que os atrasos comprometam a saúde financeira. Além desses aspectos, também é importante avaliar se a régua de cobrança adotada está contribuindo para manter os pagamentos nos prazos.
Então, se você deseja identificar possíveis falhas nesse processo, confira o conteúdo 5 sinais de que a sua régua de cobrança está gerando prejuízo invisível e veja como evitar perdas no controle de contas a receber!